Introdução
Para obter o Selo Ouro, além dos procedimentos descritos para o Selo Bronze e para o Selo Prata, as entidades deverão apresentar prova da realização de testes com utilizadores.
Este nível está também alinhado com a recomendação constante na metodologia sugerida no DL n.º 83/2018, no seu artigo 9.º, n.º 1, alínea c):
“1. Para os sítios web, as entidades referidas no artigo 2.º devem adotar os seguintes procedimentos de monitorização:
- Testes de usabilidade com pessoas com deficiência, dos quais devem fazer parte como objeto de análise, pelo menos, uma tarefa e uma tipologia de utilizadores.”
1. Escolha de utilizadores
Efetuar testes de usabilidade com um grupo mínimo de 6 participantes, dos quais:
- 4 participantes com necessidades especiais de uma só tipologia à escolha constante da Norma Europeia EN 301 549 (ver nota 1 abaixo), e;
- 2 participantes sem necessidades especiais, como grupo de controlo.
Nota 1: Tendo em conta as declarações de desempenho funcional constantes da Norma Europeia EN 301 549, recomendamos estudos focados nas seguintes 10 tipologias:
- Utilização com capacidades cognitivas limitadas
- Utilização na ausência de visão
- Utilização com visão limitada
- Utilização na ausência de perceção da cor
- Utilização na ausência de audição
- Utilização com audição limitada
- Utilização na ausência de capacidade vocal
- Utilização com capacidade de manipulação e/ou força limitada
- Utilização com amplitude de movimentos limitada
- Utilização com minimização do risco de despoletar reações fotossensíveis
Nota 2: Para adicionar uma nova tipologia da Norma Europeia EN 301 549 deve fazê-lo sempre com grupos de 6 participantes (4 participantes com necessidades especiais e 2 sem necessidades especiais).
2. Protocolo adequado
O teste deve focar-se nas principais funções do sítio web e da aplicação móvel e ser comum a todos os utilizadores. No caso de utilizadores com necessidades especiais, o protocolo deve ser aplicado no seu local de trabalho/consulta habitual, usando as tecnologias de apoio habituais e com as configurações personalizadas pelo próprio participante, nomeadamente, e a titulo de exemplo, o uso do ampliador de carateres ZoomText, com ampliação de 5 vezes, visualização em ecrã completo, inversão de cores e que usa o Internet Explorer para navegar na Web (cenário hipotético de teste de um utilizador com baixa visão), ou o uso do leitor de ecrã JAWS 20, com o navegador Web Firefox e um computador ligado a uma linha braille.
São dezenas as combinações possíveis que poderão servir de cenário a um teste e sabe-se que a alteração na combinação-tipo a que o utilizador está habituado tem impacto no desempenho dos testes a realizar. É isto que leva os especialistas de usabilidade a abandonarem os seus laboratórios e a deslocarem-se a casa, ao local de trabalho ou a um ambiente com configurações de acesso perfeitamente controladas pelos participantes com necessidades especiais.
3. Protocolo de testes sem viés
O teste procurará não influenciar as opções do utilizador e não deverá fornecer pistas sobre a realização das tarefas, incluindo termos usados. Sempre que apropriado deve ser solicitado aos participantes que verbalizem o que estão a pensar enquanto desempenham a sua tarefa no sítio web ou na aplicação móvel.
4. Autorizações e registos das sessões
A entidade deve solicitar autorização por escrito aos participantes e, sempre que apropriado, deve efetuar registos vídeo ou áudio das sessões.
5. Relatório final com observações e recomendações
O relatório final deve incluir uma lista de observações e recomendações para cada uma das tarefas.
6. Incorporação de recomendações
As entidades deverão evidenciar que as recomendações foram incorporadas no sítio web ou aplicação móvel para que, após a respetiva validação, seja atribuído o Selo Ouro.